Sábado, 28 de Abril de 2007
O corpo Humano

Exposição de cadáveres reais chega a Portugal

Processo permite ver com detalhe a fisionomia e os sistemas


Volvidos 30 anos sobre a invenção da polimerização pelo anatomista alemão Gunther von Hagens, eis que chega a Portugal uma exposição que mostra corpos humanos reais preservados segundo esse processo. "Bodies - the exhibition" é inaugurada em Lisboa no próximo sábado e, tal como sucedeu noutros países em que foi exibida, vai certamente causar polémica entre a comunidade científica. Não só porque levanta questões éticas, mas também porque faz pensar sobre os limites legais quanto ao destino a dar ao corpo depois da morte.

O espólio desta exposição é constituído por 17 corpos inteiros e cerca de 270 órgãos ou partes de corpos, que o público poderá ver no Palácio dos Condes do Restelo. A mostra é uma criação da empresa norte-americana Premier Exhibitions e, desde que foi inaugurada, há quatro anos, já passou por várias cidades no Mundo inteiro. Até agora, foi vista por cerca de quatro milhões de pessoas.

José Cardoso, responsável pela organização do evento entre nós, salienta o "vínculo de aprendizagem" subjacente à iniciativa, que espelha "novas formas de ver a cultura e a educação". Depois de ter organizado a "Cow Parade", no ano passado, o empresário refere que esta exposição - por cá sob o título "O corpo humano como nunca o viu" - segue "a mesma linha de trazer a Portugal oportunidades únicas".

Juntando as vertentes pedagógica e social, a mostra revela o corpo humano tal como ele é, uma vez que a polimerização permite que se veja detalhadamente a fisionomia e os vários sistemas. Trata-se de um processo de conservação que tem tido aplicação nas universidades portuguesas, mas apenas em relação a algumas peças do corpo humano, visto tratar-se de um método extremamente caro. Por outro lado, a escassez de dadores impede que se recorra à polimerização de cadáveres inteiros.

Os benefícios do método criado por Von Hagens em 1977 são inegáveis, quando em causa estão a investigação científica, o ensino e o transplante de órgãos e de tecidos. A questão já não é pacífica quando se recorre a corpos reais para fins lúdicos e até comerciais, como sucede com estes eventos.

Segundo a organização da exposição, os cadáveres usados neste projecto foram doados de acordo com a lei vigente nos Estados Unidos. Mas já a legislação portuguesa, por exemplo, nada prevê quanto à utilização de um corpo para efeitos como este.

Paula Martinho da Silva, jurista e presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, prestou ao JN declarações a título pessoal, referindo que a questão que se coloca nestas situações, em primeiro lugar, é "saber quais são os limites dessa utilização, para além da investigação e das funções terapêuticas". Lembra que "o corpo humano, mesmo depois da morte, tem uma dignidade intrínseca" e destaca a "questão do consentimento" dos dadores em vida.

Reservas e dúvidas

A Duarte Nuno Vieira, presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal, esta matéria levanta "algumas reservas e algumas dúvidas". Entende que iniciativas como esta "permitem uma análise e uma visão do corpo que as pessoas normalmente não têm", mas ressalva que "qualquer abordagem ética só pode ser feita sabendo-se as condições em que os cadáveres são utilizados e como ali chegam".

Absolutamente contra este tipo de uso do corpo humano está Massano Cardoso, médico e docente na Universidade de Coimbra. Apesar de reconhecer que a polimerização é uma "técnica brilhante" do ponto de vista técnico-científico, o catedrático é peremptório "Não considero correcta a utilização para fins comerciais ou artísticos". "Um morto tem direitos e aqueles corpos estão a ser profanados", acrescenta.

Já o médico Francisco Castro e Sousa, que preside à Comissão Científica da exposição, garante não ter ficado chocado quando viu a mostra no estrangeiro. Destaca a "enorme dignidade dos corpos expostos" e a "enorme correcção anatómica, que até para um médico não deixa de ser instrutiva". Por outro lado, refere que a mostra "incentiva a que se tenha uma vida baseada em práticas que favoreçam a saúde".

A exposição está patente até Setembro e é aberta a públicos de todas as idades.


1- Corpo é preservado temporariamente para parar
a decomposição
2- É dissecado para apresentar sistemas e estruturas específicas
3- Dissecção é imersa em acetona para evacuar toda
a água do corpo
4- Desidratado, é colocado num banho de polímero de silicone e selado numa câmara em vácuo
5- Em vácuo, a acetona sai do corpo em forma de gás e é substituída pelo polímero de silicone até ao mais profundo
nível celular
6- Polímero de silicone endurece com a cura
7- Corpo preservado permanentemente, com a estrutura intacta, está preparado para ser examinado e estudado.

Para mais informações cosulte:www.ocorpohumano.net



publicado por boneca às 20:45
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